
Eu o via por todos os cantos, em todas as pessoas. Sentia o perfume dele entre mil corpos passando por mim. Via em um outro alguém características dele. Encontrava até no lanche do McDonald's alguma lembrança da comida que ele tanto gostava e falava. Chegava a ser bobo, desesperado. Me chamaram de tantas coisas já por isso tudo, louca, alucinada. Dizem que me prendo demais a quem não merece isso. Dizem que é doença, que é fanatismo. Eu desminto e dou risada de todos. Sei o que é, é saudade. Não dessas comuns – se é que dá pra dizer que existe saudade comum – eu sentia-me as vezes sufocada de tanta vontade de estar perto dele, vontade de estar acompanhando cada passo que ele dava. Não queria controlar os passos dele, queria apenas fazer parte deles e mais, queria que ele pudesse me ver ali, entre todas aquelas pessoas que loucamente gritam com vozes agudas seu nome. Mas aquilo não se fazia possível, dias se passavam, meses, e ele longe, doía, enfraquecia e por vezes a dor era tanta que parecia que o coração havia explodido e feito alguma costela quebrar. Sei lá se algum dia já amou alguém assim, ao ponto de querer sempre estar ao lado dela. Sei lá se existe explicação pra esse amor tão sem medida e controle que ele havia plantado em mim, eu não podia fazer nada pra impedir que ele continuasse tomando conta do meu interior, ele controlava isso agora. E bastava aquele sorriso e pronto, tudo voltava a crescer.Dizem que quando você precisa de alguém assim, quando sente falta de alguém ao seu lado, você começa a vê-la nas esquinas, no andar das pessoas, no menino com sotaque de lá, achava essa história uma besteira, hoje, depois de quatro meses e meio sem vê-lo, acredito e assino embaixo quem um dia escreveu sobre isso. Ele vem, enche meu coração, abre meu sorriso e toca a minha alma. Mas ai ele se vai, mas não leva todo o meu amor junto. Leva o meu carinho, alguns dos meus olhares brilhantes direcionados a ele, leva meus abraços que quase lhe fazem faltar o ar. Mas ele deixa a saudade aqui, deixa a vontade de entrar dentro da mochila dele e ir junto com ele, ele se vai mas continua presente aqui. É como se ele nunca fosse de verdade, sabe? como se, como se partes dele ficassem esparramadas por onde quer que eu vá. Talvez seja só saudade, acho que é só saudade mesmo. Mas, queria tanto que ele voltasse, logo. Queria tanto que ele viesse pra preencher essas lacunas vazias, não me contento com as partes dele, não sou boa em montar quebra cabeças e nem em ficar procurando por peças perdidas. E quando ele vem nada disso é preciso, ele tem tudo o que me completa, basta estar aqui, aqui bem perto de mim, de preferencia aqui, dentro dos meus braços. É, saudade...
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